Japchae

Com certeza a receita mais exótica já postada no Blog. O Japchae (Chapchae ou jabchae, fala-se “tjáp-tché”) é um tipo de yakisoba coreano, seu nome significa legumes misturados (jap = misturado / chae = legumes). O prato que foi criado durante as festas do Rei Gwanghaegun pelo vassalo Yi Chung, durante a Dinastia Joseon no Séc. XVII, tinha como base apenas os vegetais e cogumelos, porém foi complementado por carne, óleo de gergelim torrado e posteriormente por dangmyeon, macarrão transparente feito da fécula de batata doce. (Antes que me chamem de gênio, eu aprendi tudo isso no wikipédia, ok?)
A primeira vez que tive contato com esse prato foi no Burgogui, um restaurante familiar coreano lá de Recife e rolou paixão logo de cara!(Tem fotos do lugar e do prato aqui no blog) Porém, apesar de todas esse exotismo, é um prato muito simples e fácil de se fazer, o mais difícil é achar o macarrão, vendido em sacos de 500g e 01kg, apenas em lojinhas orientais. Tenho sorte de conhecer bem o mercado coreano em Curitiba, mas tirando ali, acho que só encontraria na Liberdade em SP ou em algum empório caríssimo em outras capitais. (Pesquisem também nas lojas virtuais, paguei R$ 18,90 no pacote de 01kg aqui no mercadinho).
Essa foto abaixo não ficou ideal, porque o asno gordo gênio usou mais macarrão do que precisava. Se você seguir essa receita corretamente, verá que o seu japchae ficará muito mais colorido e rico que esse abaixo, pois está “amacarrãozado” demais. 

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Ingredientes (04-05 pessoas):

– 350g de dangmyeon. (macarrão de batata doce)
– 02 cenouras. (Cortadas julienne)
– 01 pimentão vermelho. (cortado allumettes)
– 100g-200g de shitake (cortado em 4, sem talo e higienizado vide Dicas)
– 01 maço generoso de cebolinha (cortado grosseiro, em diagonal, usa-se a parte “branca”)
– 350g de miolo de alcatra limpos (Cortado em tiras e levemente amaciados)
– 50ml-100ml de shoyu. (depende do quanto de sal tem aquele que você usa, vide Dicas)
– 03 colheres (sopa) de gergelim torrado (vide Dicas)
– 20ml de óleo de gergelim torrado (importante!)
– 50ml de óleo de canola (mas pode ser milho ou soja)
– Pimenta do reino ou gochugaru (pimenta coreana, vide Dicas)
– 01 colher (sopa) de açúcar cristal.
– Sal, se necessário.

Modo de Preparo:
Por se tratar de uma comida asiática, o correto seria saltear tudo em uma wok com fogo alto de pressão, porém nem eu e nem vocês temos esse equipamento em casa, o negócio é improvisar.
Coloque a água do macarrão para ferver em uma panela grande, enquanto isso,faça uma redução com o açúcar, água e metade do shoyu. Refogue em óleo bem quente os vegetais (cenoura, pimentão e a parte branca da cebolinha) e reserve, refogue o shitake e refogue a carne aos poucos (para não juntar água, apenas selar) e reserve também. Cozinhe o macarrão na água fervente (demora uns 3 minutos), escorra bem e na maior panela da sua casa, refogue tudo junto: os legumes, cogumelos, carne, macarrão e todos os temperos, como: a redução, shoyu, pimenta, parte verde da cebolinha, óleo de gergelim, gergelim torrado e corrija o sal se necessário (mas lembre-se que não é um prato muito salgado).

Dicas:
– Um bom lugar para achar e comprar esse macarrão, é a Deusa Internet. Pesquise no Deus Google, porque devem existir muitas lojas online de produtos gastronômicos exóticos. Essa massa serve também para sopas como noodles e para saladas, principalmente com frutos do mar.
– Perceba que coloquei o nome dos cortes ali, pesquise na internet e também tome como referência a foto. O tamanho e tipo de cortes é muito importante em qualquer cozinha.
– Para higienizar o shitake (tirar as terrinhas), pouco antes de cortar e refogar, passe um papel úmido e outro seco por cima e nas entranhas, tomando cuidado para não machucar o produto, que é caro e delicado.
– O “levemente amaciado” da carne, seria cortar em tirar e dar uma porradas de leve com o martelo próprio. Isso é comum na cozinha oriental.
– Cada shoyu tem uma proporção de sal, eu costumo usar o Sakura Premium, que segundo a embalagem sofre uma fermentação “Natural”. Ele é menos salgado que o comum e mais que o light, porém o legal é seu sabor e aroma, infinitamente melhores.
– Vende-se saquinhos de gergelim preto em qualquer mercado, mas ele está cru. Para torra-lo, basta colocar em uma frigideira e fogo baixo, ir salteando e em poucos minutos (uns 3), alguns começarão a pipocar. Desligue e deixe esfriar. Não deixe passar do ponto, para não amargar.
– Recomendei o óleo de canola por ser o mais neutro, para refogar os legumes e selar a carne, aquela quantidade deve ser bem distribuída e pode variar pelo seu gosto.
– A pimenta flocada vermelha coreana (gochugaru) é tão difícil de encontrar quanto o macarrão, mas vale muito a pena tê-la em casa para vários tipos de preparo. Ela é mais aromática e colorida do que ardida, tem levíssima picância e muito sabor, assim como a pimenta do reino. Porém seu sabor é mais ligado às pimentas vermelhas, sua aparência lembra ao longe a calabresa, mas sua composição e sabor são extremamente diferentes.

Salada Sunomono

Que engraçado, eu amo a culinária japonesa, fiz curso de sushiman no SENAC e já trabalhei em um café que era gerenciado por um Chef japonês, mas nunca tinha preparado nada do tipo!

Comida japonesa é muito chata de se fazer, apesar da simplicidade, existem pequenos detalhes que fazem toda a diferença! Claro, todas as comidas têm dessas coisas, mas na cozinha nipônica isso é mais importante, como o arroz de sushi que deve ser abanado e descansado, além de ser servido frio e não gelado, etc.

Fiz essa salada por ser o mais simples dos pratos, tudo começou quando ganhei uma garrafa de vinagre de arroz que minha tia trouxe do Japão (foto abaixo), me inspirei e resolvi comprar mais ingredientes para fazer carnes, arroz e claro, o sunomono.

Na internet só achei receitas absurdas, que mandavam ferver o vinagre, lavar o pepino, usar meio quilo de açúcar com 1 litro de vinagre para temperar (Só em restaurante usaríamos essas medidas!), enfim, cuidado com esses sites grandes de receitas, onde qualquer um posta qualquer coisa. Usei as dicas do meu professor do SENAC, do meu antigo gerente e do cara que me vendeu os ingredientes (que parecia entender bastante).

Infelizmente o resultado não ficou como eu esperava, um tanto forte demais o sabor, pois acho que exagerei na quantidade de tempero para pouco pepino, por isso vou colocar a receita já corrigida. Além disso, não sei como são os vinagres de arroz nacionais, esse importado talvez seja mais forte.

É importante se lembrar que sunomono é uma conserva de pepino avinagrado, assim como podemos conservar frutas em açúcar e carnes em banha ou sal, podemos conservar vegetais e algumas carnes em vinagre ou qualquer outra solução ácida, como o arroz cozido (de sushi), o picles (pepino, cenoura, cebola), peixes (podendo fazer um ceviche) ou o namasu (conserva de nabo e cenoura, tipo sunomono), engraçado é que todos eles levam além da solução ácida, o açúcar e sal.

Outra coisa, fiz uma versão supersimples, já que o importante é o conceito de conserva e não a elaboração de algo diferente, mas em Recife sempre comia sunomono completo, com pedacinhos de polvo, salmão, atum e pescada amarela, às vezes com um molho de missô que era de comer chorando e ajoelhado! Mas uma receita dessas exigiria uma série de outros trabalhos com peixes, cortes e coisas que só uma aula pode ensinar.

Ingredientes: (para duas pessoas, o dobro dessa foto)

04 pepinos japoneses.

01 colher (sopa) de sal.

50ml de vinagre de arroz

50g de açúcar

01 colher (sopa) de saquê mirim

04 bastões de kani

01 colher (sopa) de gergelim preto

01 colher (sopa) de óleo de gergelim torrado (opcional)

Pitadinha leve de glutamato monossódico (ajinomoto)

Modo de Preparo:

Fatie os pepinos finamente, coloque o sal e deixe em descansar em uma peneira por 30 minutos, aperte-os de leve (para tirar o excesso de água) e em uma tigela adicione o ajinomoto, saquê e o açúcar e vinagre (que foram bem misturados previamente). Tampe e deixe na geladeira por no mínimo 1 hora. Antes de retirar e servir, desfie o kani e torre o gergelim(vide Dicas), se quiser, pingue um pouco do óleo.

Dicas:

-Dificilmente falo de preços, mas para não assustar os virgens marinheiros de primeira viagem, as garrafas de vinagre de arroz e saquê mirim (500ml) custam na faixa de R$ 5,00 cada, o saquinho de gergelim R$2,00, o pacote co 16 bastões congelados de kani R$ 7,50 e o pepino japonês R$4.00 o Kg (umas 7 a 8 unidades).

-Todas essas quantidades são relativas, principalmente o vinagre e o açúcar, pois o pepino, mesmo após ser seco, continuará a soltar água na conserva dentro da geladeira, por isso é importante ir provando.

-Para fatiar os pepinos, use uma manolina. Qualquer uma serve, aquela de 8 reais na lojinha do centro ou uma alemã de 140 reais que dura 5 anos e corta mais que o adamantium do Wolverine. Se tentar na faca, você vai fazer fatias muito grossas e desiguais, demorar 3 horas ou fazer sunomono com seus dedos. Além disso, use sempre o pepino japonês, ele é mais fino e longo, tem poucas e moles sementes, os outros pepinos (mais grossos) são inadequados! E nunca use a ponta dos pepinos, que amargam.

-Quando misturar o vinagre e o açúcar, vai parecer uma solução supersaturada, cheio de grãos. Mas fique tranquilo, pois além de mexer bem, quando colocar no pepino, ele soltará água e vai diluir esses grãos restantes.

-Para torrar o gergelim, pegue uma frigideira, esquente-a até fumaçar e apague o fogo, coloque os gergelins e vá salteando por alguns minutos, como se trata de pouco gergelim e ele é uma sementinha minúscula, mais calor que isso pode torrá-lo demais, deixando um gosto amargo e soltando um óleo horrível. (Ele também pula como pipoca, mas só quando a coisa já queimou e amargou)

-Compre kani de uma qualidade razoável, as marcas mais baratas são farelentas e têm um sabor horrível. Lembre-se que kani não é carne de siri ou caranguejo, são retalhos e sobra de peixes industralizada, aromatizada e compactada.

-A colher de sal deve ser generosa, pois o pepino é quase todo feito de água e essa quantidade além de não salgar muito, ainda fará com que o pepino se desidrate (essa é a intenção!). Mesmo assim, ele soltará muita água no tempero avinagrado, enquanto estiver na geladeira. Por isso é importante a espera e sempre provar (uns preferem mais azedo e outros mais doce).

-As gotas de óleo de gergelim torrado é um opcional, adoro esse tempero em carnes e saladas, dá um gostinho amendoado, que lembra amendoim torrado (rimou!), não confunda com o óleo queimado que sai do gergelim quando os torramos demais! Falo de umas garrafinhas pequenas que vendem nas mesmas lojas que o saquê, vinagre, etc.

 

Lembram daquela história de harmonizar música e comida? Pois aqui vai uma dica interessante:
The Bird and The Bee – Love Letter to Japan

Macarrão Alho e Óleo

Sinceramente? Um dos pratos mais geniais que já inventaram! É barato, prático, gostoso, rústico e graças a Zeus, não é nada saudável! Pra mim tem cara de churrascaria da beira de estrada, casa da vovó ou vida de solteiro, claro, tudo nos anos 80!

Até o nome é perfeito, pois brinca com o famoso molho provençal chamado “Aioli”, que é uma espécie de maionese carregadona no alho.

Se você é vagabundo preguiçoso ocupado demais para gastar mais de 20 minutos cozinhando, tá aí uma boa opção. É uma comida que você pode aproveitar até o macarrão gelado da semana passada do almoço! É algo tão rústico, que coloquei até uma cebolinha mais grosseira que cano de passar bosta, parede de igreja, calcanhar de pedreiro, alho poró sujo da feira!

Ingredientes:

200g de macarrão spaghetti ou Spaghettini.

04 dentes de alho grandões (ou 06 médios)

1/3 do maço de salsinha.

¼ do maço de cebolinha.

20ml de azeite.

20ml de óleo comum.

Sal e pimenta do reino.

Modo de preparo:

Cozinhe o macarrão em água abundante (1,5l aprox), salgada (2 colheres de sal) e borbulhante. Assim que botar a massa para escorrer, frite o alho até dourar, adicione a salsa, cebolinha e o macarrão (já escorrido) e vá misturando e corrigindo o sal-pimenta se necessário. E tá pronto, mais simples que isso, só miojo!

Dicas:

-Não seja tão mão-de-vaca pão-duro muquirana unha-de-fome Julius econômico, compre macarrão di grano duro

-Como a água do macarrão já é salgada, dificilmente você precisará corrigir o sal, principalmente se adicionar a massa ainda levemente molhada (o ideal).

-O macarrão deve estar al dente pra meio durinho, já que terminará de cozinhar com os outros ingredientes na frigideira.

-O alho deve ser colocado sobre o óleo ainda frio, aos poucos ele vai fritando e quando os pedacinhos menores ficarem marrons (mesmo que os maiores ainda estejam brancos e apenas com as bordas tostadas), adicione os outros ingredientes.

-Usei meio a meio no óleo porque apenas 1 deles fica caro demais. Juliuslifestyle.

-Esse prato rende para duas pessoas “normais”. (3 porções dessas da foto)

-Apenas dê um “susto” no macarrão, não precisa fritá-lo.

-Algumas pessoas colocam outras coisas misturadas, mas eu prefiro o tradicional mesmo. No máximo colocaria uma dedo de moça sem sementes e beeem picadinha.

-Se for usar macarrão de geladeira, dê uma escaldada com água quente, além de tirar o “gelado”, ele ficará mais soltinho. Nesse caso, preste atenção ao sal, que provavelmente faltará.

Bolo Branco Perfumado.

Olá meu povo.

Hoje não tive palestra no SEBRAE, assim passei a tarde em casa, vi Simpsons, depilei as costas, tomei café e claro, fiz um bolo!

Mas qual bolo fazer? Não queria comer algo comum demais, por isso acabei inventando um bolo branco perfumado. A idéia é simples, faço um bolo branco comum e coloco algumas especiarias para dar um toque diferente, rá! É o tipo de idéia idiota o bastante para dar certo. E deu! O bolo ficou fofinho e super saboroso, o cheiro dele é divino e apesar da aparência super comum, as pessoas vão perguntar “que bolo é esse?”. É fácil demais, vale à pena fazer em casa!

Ingredientes:

03 xícaras de farinha de trigo (peneirada)

02 xícaras de açúcar

01 xícara de leite

04 ovos (separar gemas e claras em neve)

02 colheres de manteiga (colheres generosas)

01 colher de fermento (generosa também)

01 colher de essência de baunilha

01 colher de rum

01 pitada de noz moscada

01 pitada de cravo em pó

Modo de Preparo:

Bata o açúcar, leite, gemas, manteiga e todas as especiarias (baunilha, rum, noz moscada e cravo) até formar uma pasta amarela, adicione a farinha, bata até virar a massa, coloque o fermento e a clara e mexa com cuidado, de cima para baixo. Coloque em fôrma untada, no forno pré aquecido (220°C) e deixe assar por 20-30 minutos.

Dicas:

– Cuidado com as especiarias, se colocar um pouco a mais elas podem estragar o bolo, principalmente noz moscada e rum, que são fortes.

– Minha manteiga tinha sal, caso a sua não tenha, coloque uma pitada.