Creme de Abóbora

Se existe um blogueiro inútil, este sou eu!
Além de deixar esse lugar semiabandonado desde que virei cozinheiro, ainda posto uma receita de inverno pouco antes de começar o verão!
Parece uma brincadeira de mau gosto, não?
Claro que a maioria das pessoas preferem sopas durante o inverno, principalmente se for uma sopa ou creme gordo, com bons pedaços de carne, legumes pelantes e um caldo cheiroso, encorpado e cheio de sabor e sustança. Mas eu sou daqueles que não dispensa uma sopinha mesmo nos dias quentes, pois é algo leve e aconchegante para se comer à noite, principalmente quando se janta após 22:00.

Aprendi a fazer esse creme com minha chefe, que é servido durante as noites de inverno lá no restaurante, super simples de se fazer e dependendo de onde se arruma a abóbora, fica uma receita muito barata, considerando que alimenta algumas pessoas. Outra coisa boa dessa receita, é que apesar do bacon e do creme de leite, é muito delicado e suave, boa mesmo para consumir 1 ou 2 horas antes de se deitar.

Ingredientes:
– 01 Abóbora Cabotiá.
– 250ml de leite integral.
-350ml de água.
– 100g de bacon picado.
– 02 dentes de alho e/ou meia cebola pequena.
– Meia caixinha de creme de leite (100g)
– Sal e Pimenta do reino q.b.

Modo de Preparo.
Fatie a abóbora em 6 a 8 pedaços, coloque no forno por cerca de 1h a 2h, até ela ficar mole. Bata no liquidificador a “carne” da abóbora, água, leite, sal e pimenta. Em uma panela doure o alho, cebola e depois o bacon, adicione o caldo, deixe ferver por 20min, corrija o sal e finalize com o creme de leite (após desligar o fogo).

Dicas:
-Usei uma abóbora média-pequena para essa sopa, aumente as medidas de acordo com seu bom senso. (Essa servem 4 pratos ou duas pessoas esfomeadas)
– Quando assá-la, deixe a casca para baixo (tipo meia-lua) e o ponto “mole” não é derrentendo, serve apenas para perder aquela dureza.
–  “Carne” da abóbora significa ela sem casca, só isso! 🙂
– A cebola e o alho são opcionais, eu gosto dos dois. O mais importante é deixar o bacon bemmm frito, porque assim a gordura derreterá bem e não ficarão sebinhos horríveis no meio.
– Enquanto o caldo ferve, ele soltará uma espuma fina, retire isso para deixar a sopa mais bonita. (Não sei se isso altera o sabor).
– É muito importante finalizar com o creme de leite. Algumas pessoas usam queijo gorgonzola, mas cuidado com o sal!
– Pode misturar salsinha e cebolinha picadas, também melhor após desligado o fogo.
– Dá para fazer sem bacon, nunca testei, mas deve ficar tão bom quanto. (Os vegetarianos comemoram!)

Harmonização Musical:
Nunca mais tinha colocado músicas aqui, né?
Essa tem tudo a ver com uma boa sopinha de abóbora:

Canja de Galinha

Olá pessoas! Que saudades de vocês!
Demorei para postar pelos mesmo motivos que aleguei na postagem passada. Estou morando sozinho e meu apartamento não dispõe e quase nada: batedeira, liquidificador e outras coisas simples. O projeto de filmar as receitas já está encaminhado, porém aconteceram atrasos por motivos técnicos e provavelmente só terei algo filmado em alguns dias, inclusive a receita de hoje era para ter sido filmada em conjunto com o arroz doce. Por isso estou postando isso diretamente da casa da minha avó, vim aqui com minha amiga Priscila, fiz bolo e no começo da noite fiz uma canja de galinha bem tradicional.
A canja de galinha é um prato curioso, pois esse hábito de consumir arroz+ave é mundial, todo país tem seus pratos com esse casamento. Pesquisando um pouco, descobri que o nome “canja” vem de “kanji”, um ensopado de arroz e galinha indiano típico da Província de Malabar, região onde fica Goa, antiga colônia portuguesa na Índia. O hábito de tomar canja e agregar a ela propriedades medicinais remontam final do século XVIII e começo do XIX com a invasão francesa em Portugal, quando a nobreza consumia regularmente esse prato. Mas como historiador que sou, acredito que a real origem da canja é a mesma do arroz doce. Simmmm, canja e arroz doce são irmãozinhos! Há tempos e tempos atrás, aproximadamente no século XVI e XVII, entre 1532 quando Duarte Coelho chegou até comecinho de 1700, com o começo da interiorização européia no Brasil, o prato mais “chic” de nossas terras era o “manjar branco”, de origem mourisca, consistia em um pudim doce feito com açúcar, leite, canela, arroz quebradinho e peito de frango desfiado. Curioso, não? Pois falarei mais sobre isso na postagem do Arroz Doce FILMADO, enquanto pico e mexo as coisas, vou desconstruindo a história desses pratos tão preciosos.
Resumo da Ópera: Canja é tudo de bom, um prato barato, saboroso, tradicional, simples de fazer e saudável, pois tem baixa caloria e propriedades antiinflamatórias. Pode também ser saboreada no verão, apesar de aquecer, é muito leve e não dá aquele “suador” que os caldos mais pesados e gordos fazem!
Segue abaixo a receita para 2-3 pessoas, para alimentar uma matilha galera maior, use o dobro dos ingredientes descritos:

Ingredientes:
– 1/2 peito de frango (com ossos e pele).
– 03 tomates (cubos pequenos)
– 01 cebola (bem picada)
– 02 dentes de alho (bem picados)
– 03 mandioquinhas salsa (em rodelas médias)
– 01 cenoura média (meia rodelas finas)
– 1/2 xícara de arroz (fino)
– Fio de óleo comum
– Um punhado de repolho (opcional)
– Salsa e Cebolinha (a gosto)
– Sal e pimenta do reino.

Modo de Preparo:
Refogue o alho no óleo até dourar, adicione a cebola e a pele inteira do peito, deixe até caramelizar. Adicione o frango (cortado em cubos) e a pimenta do reino, refogue até o frango ficar branco, adicione o sal, o tomate, a cenoura, salsa e a mandioquinha, misture e coloque o esqueleto do peito (geralmente é uma peça inteira de ossinhos finos e cartilagem, ainda com pedacinhos de carne). Deixe refogar por uns 5 minutos, adicione água quente até cobrir + 50% os ingredientes, aproximadamente 3/4 da panela. Vá provando, quando começarem a cozinhar (mas ainda duros, longe de ficar pronto), coloque o arroz e mexa. Depois vá mexendo periodicamente e provando até o arroz ficar cozido. Corrija o sal/pimenta e adicione as cebolinhas pouco antes de servir.

Dicas:
– Usar a pele e os ossos-cartilagem é muito importante, porque eles darão sabor ao caldo e evitarão o uso daqueles tabletes sintéticos. Não se esqueça de retirar essas partes indesejadas antes de servir, porque osso na sopa ou aquela pele branca e cheia de poros é o fim!
– O tamanho dos legumes e a ordem que são colocados é muito importante, porque o mais difícil em uma sopa é o “timing” , saber que todos os vegetais estarão no cozimento certo ao desligar o fogo. Por exemplo, a cebola e o tomate devem “desaparecer”, já a mandioquinha cozinha mais rápido que a cenoura, por isso é cortada em rodelas mais grossas. O arroz é um dos últimos e a cebolinha, praticamente crua. Assim por diante, porque cozimento e textura importam muito nesse caso.

Chipa-guazú.

Conforme prometido, aqui está a outra “chipa”, que apesar do nome, é totalmente diferente da anterior. Também conhecida como “sopa paraguaia” no Mato Grosso do Sul (não me perguntem o porquê de chamarem isso de “sopa”), é um prato muito saboroso, um espécie de bolo de milho salgado, com queijo e cebola. Adorei! Fiz agora à noite e comi uma bela fatia, mas o gostoso será amanhã de manhã com cafezinho! Essas idéias paraguaias estão rendendo boas e diferentes receitas, em breve teremos a macarronada verde e o surubim cozido. Acho que o brasileiro deveria olhar mais para os seus vizinhos e também para o próprio interior, ficamos presos aos sabores europeus e de outros países ricos, esquecendo de nossas raízes e de nossos “hermanos”. Por exemplo, hoje o Peru é o país da gastronomia, a comida peruana será em cinco anos o que a japonesa foi há cinco anos (a moda!), assim como Bogotá é uma capital internacional da gastronomia, com bares e restaurantes de todos os tipos, onde surgem inovações que não existem em nenhum outro lugar. A riqueza está bem perto, só precisamos enxergá-la.

PS. Não posso deixar de agradecer infinitamente minha amiga Natália Carvalho, que me ajudou na preparação dessa receita, debulhando o milho e lavando a louça. Quer ajudante mais importante que essa? MUITÍSSIMO OBRIGADO!

Ingredientes:

01 kg de milho verde (aprox. 7 a 8 espigas)

½ xícara de leite

80g de manteiga

03 ovos.

500g de queijo minas meia-cura. (corte em cubinhos)

05 cebolas grandes. (picadas e caramelizadas)

Sal (aprox. 01 colher de sopa)

Modo de Preparo:

Bata no liquidificador: o milho, a manteiga, o leite, os ovos e metade da cebola caramelizada. Depois misture a massa (muito mole) ao queijo e o restante da cebola. Coloque em uma fôrma GRANDE untada e asse em forno pré-aquecido por 1 hora (forno baixo, menos de 200°C).

Dicas:

-Cebola caramelizada é aquela cebola bem fritinha, que fica marrom e adocicada.

– Use 2/3 do queijo para misturar e 1/3 salpique por cima.

– É importante assar em fôrma grande para poder ficar um bolo baixo, porque mais alto ele não cozinha.