Boeuf Bourguignon

Hoje pela manhã meu pai acordou falando em comer carne cozida, mas ele queria a receita sem batatas e cozida no vinho… pensei um pouco e concluí é aquela carne de panela com nome francês “BOEUF BOUGUIGNON”!!!

Ok, não é a receita original, alias, nem sei como ela é mesmo, mas fiz à minha maneira.
Fui ao açougue e comprei 2 peças de acém, cerca de 1kg cada, estava muito fresca e com pouca gordura, um ossinho no meio, maravilhosona!
Os legumes, eu já tinha em casa e o um vinho tinto chileno também.
O resultado ficou excelente, sabor intenso, carne molinha e suculenta, caldo encorpado e legumes no ponto! O aroma ocupou toda a casa, perfeito!

Carne de panela Boeuf Bourguignon


Ingredientes:

02kg de acém
03 cebolas médias.
05 dentes de alho.
Óleo.
250ml de vinho tinto seco.
4 tomates maduros.
2 pimentões (um de cada cor)
2 cenouras grandes.
Um maço de cebolinha.
Sal, pimenta e cominho.

Modo de Preparo:
Corte o acém em 8 partes cada peça de 1kg (cubos grandes) frite em um pouco de óleo para selar, pouco a pouco, para não juntar água. Reserve.
Na mesma panela, frite o alho, depois a cebola, adicione a carne (já selada) e a pimenta-cominho. Deixe refogar um pouco, adicione os tomates e o sal, refogue novamente até os tomates “derreterem” um pouco. Deve ter juntado alguma água, no mínimo encobriu 50% ou 70% dos pedaços de carne, complete com vinho e água, se necessário. Tampe e deixe cozinhar na pressão (40min-1h depois que começar a chiar), adicione as cenouras e o pimentão, corrija o sal se precisar. Deixe borbulhando de boa até a cenoura chegar no ponto desejado, desligue, coloque a cebolinha e é só alegria!

Dicas:
– Cebola, alho e tomates, corte como quiser. A carne recomendo em grandes cubos e a cenoura-pimentão da forma que preferir, desde que fique “bonito” para você.
– Pode tirar o excesso de gordura ou nervo da carne, caso tenha. Mas mantenha o osso.
– Não se esqueça de tirar a pressão da panela antes de tentar abri-la! Pode parecer besteira, mas ta cheio de gente que faz isso. (acredito que a panela nem abra quando ainda tem pressão, mas não custa avisar).
– Pode adicionar batatas, mandioca ou ervas de sua preferência, só lembre-se do ponto de cozimento de cada ingrediente.

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Japchae

Com certeza a receita mais exótica já postada no Blog. O Japchae (Chapchae ou jabchae, fala-se “tjáp-tché”) é um tipo de yakisoba coreano, seu nome significa legumes misturados (jap = misturado / chae = legumes). O prato que foi criado durante as festas do Rei Gwanghaegun pelo vassalo Yi Chung, durante a Dinastia Joseon no Séc. XVII, tinha como base apenas os vegetais e cogumelos, porém foi complementado por carne, óleo de gergelim torrado e posteriormente por dangmyeon, macarrão transparente feito da fécula de batata doce. (Antes que me chamem de gênio, eu aprendi tudo isso no wikipédia, ok?)
A primeira vez que tive contato com esse prato foi no Burgogui, um restaurante familiar coreano lá de Recife e rolou paixão logo de cara!(Tem fotos do lugar e do prato aqui no blog) Porém, apesar de todas esse exotismo, é um prato muito simples e fácil de se fazer, o mais difícil é achar o macarrão, vendido em sacos de 500g e 01kg, apenas em lojinhas orientais. Tenho sorte de conhecer bem o mercado coreano em Curitiba, mas tirando ali, acho que só encontraria na Liberdade em SP ou em algum empório caríssimo em outras capitais. (Pesquisem também nas lojas virtuais, paguei R$ 18,90 no pacote de 01kg aqui no mercadinho).
Essa foto abaixo não ficou ideal, porque o asno gordo gênio usou mais macarrão do que precisava. Se você seguir essa receita corretamente, verá que o seu japchae ficará muito mais colorido e rico que esse abaixo, pois está “amacarrãozado” demais. 

Imagem

Ingredientes (04-05 pessoas):

– 350g de dangmyeon. (macarrão de batata doce)
– 02 cenouras. (Cortadas julienne)
– 01 pimentão vermelho. (cortado allumettes)
– 100g-200g de shitake (cortado em 4, sem talo e higienizado vide Dicas)
– 01 maço generoso de cebolinha (cortado grosseiro, em diagonal, usa-se a parte “branca”)
– 350g de miolo de alcatra limpos (Cortado em tiras e levemente amaciados)
– 50ml-100ml de shoyu. (depende do quanto de sal tem aquele que você usa, vide Dicas)
– 03 colheres (sopa) de gergelim torrado (vide Dicas)
– 20ml de óleo de gergelim torrado (importante!)
– 50ml de óleo de canola (mas pode ser milho ou soja)
– Pimenta do reino ou gochugaru (pimenta coreana, vide Dicas)
– 01 colher (sopa) de açúcar cristal.
– Sal, se necessário.

Modo de Preparo:
Por se tratar de uma comida asiática, o correto seria saltear tudo em uma wok com fogo alto de pressão, porém nem eu e nem vocês temos esse equipamento em casa, o negócio é improvisar.
Coloque a água do macarrão para ferver em uma panela grande, enquanto isso,faça uma redução com o açúcar, água e metade do shoyu. Refogue em óleo bem quente os vegetais (cenoura, pimentão e a parte branca da cebolinha) e reserve, refogue o shitake e refogue a carne aos poucos (para não juntar água, apenas selar) e reserve também. Cozinhe o macarrão na água fervente (demora uns 3 minutos), escorra bem e na maior panela da sua casa, refogue tudo junto: os legumes, cogumelos, carne, macarrão e todos os temperos, como: a redução, shoyu, pimenta, parte verde da cebolinha, óleo de gergelim, gergelim torrado e corrija o sal se necessário (mas lembre-se que não é um prato muito salgado).

Dicas:
– Um bom lugar para achar e comprar esse macarrão, é a Deusa Internet. Pesquise no Deus Google, porque devem existir muitas lojas online de produtos gastronômicos exóticos. Essa massa serve também para sopas como noodles e para saladas, principalmente com frutos do mar.
– Perceba que coloquei o nome dos cortes ali, pesquise na internet e também tome como referência a foto. O tamanho e tipo de cortes é muito importante em qualquer cozinha.
– Para higienizar o shitake (tirar as terrinhas), pouco antes de cortar e refogar, passe um papel úmido e outro seco por cima e nas entranhas, tomando cuidado para não machucar o produto, que é caro e delicado.
– O “levemente amaciado” da carne, seria cortar em tirar e dar uma porradas de leve com o martelo próprio. Isso é comum na cozinha oriental.
– Cada shoyu tem uma proporção de sal, eu costumo usar o Sakura Premium, que segundo a embalagem sofre uma fermentação “Natural”. Ele é menos salgado que o comum e mais que o light, porém o legal é seu sabor e aroma, infinitamente melhores.
– Vende-se saquinhos de gergelim preto em qualquer mercado, mas ele está cru. Para torra-lo, basta colocar em uma frigideira e fogo baixo, ir salteando e em poucos minutos (uns 3), alguns começarão a pipocar. Desligue e deixe esfriar. Não deixe passar do ponto, para não amargar.
– Recomendei o óleo de canola por ser o mais neutro, para refogar os legumes e selar a carne, aquela quantidade deve ser bem distribuída e pode variar pelo seu gosto.
– A pimenta flocada vermelha coreana (gochugaru) é tão difícil de encontrar quanto o macarrão, mas vale muito a pena tê-la em casa para vários tipos de preparo. Ela é mais aromática e colorida do que ardida, tem levíssima picância e muito sabor, assim como a pimenta do reino. Porém seu sabor é mais ligado às pimentas vermelhas, sua aparência lembra ao longe a calabresa, mas sua composição e sabor são extremamente diferentes.

Peixada de Pascoa

Eu adoro a Páscoa! Não sou cristão e não sou chocólatra, mas algumas datas têm uma magia. Me lembro da Páscoa de 2007, quando fui para Gravatá (Região serrana do Agreste pernambucano, 85km de Recife). A estrada estava linda, tinha chovido há pouco e a paisagem (estrada e plantas) estavam com aquele aspecto “molhado-e-secando-ao-sol”. Nessa época acontece um fenômeno interessante na região, aparecem milhões de borboletas amarelas por todo lado, são de um amarelo claro e intenso, a estrada fica cheia de borboletas mortas, que se parecem folhas de outono e o para-brisa fica todo “pintado” (sim, muito trágico, mas estranhamente lindo). É quando se iniciam as chuvas e os festejos ligados ao interior no Estado de Pernambuco, as praias ficam vazias e os chalés das cidades serranas se enchem. É a hora de comidas típicas a base de milho, danças, cores e outras mil e uma coisinhas que antecedem o São João e durarão atéééé 07 de Setembro, primeiro feriado de “verão”, onde reinicia a temporada de sol e praia.

Como sou pobre e moro sozinho, segui meu próprio conselho do último post e reciclei a peixada que fiz na sexta-feira santa!

Só para explicar… A foto abaixo é de um cuscuz com o molho da peixada reduzido. Quer dizer, sobrou metade da peixada que fiz ontem, reservei um filé de peixe, umas mini cenouras e joguei fora das batatas (batata requentada é horrível!), reduzi o molho pela metade (1h no fogo baixo) com um pedaço de peixe debulhado e os pedacinhos de legumes (que sumiram!), o caldo ficou grosso e de sabor muito intenso. Restando uns 5minutos, coloquei o filé peixe e as cenouras (aqueles que reservei no começo) apenas para esquentar naquele molho. Ficou muito gostoso, confesso que até melhor que a peixada! Esse molho todo sobrou porque não fiz pirão com o caldo da peixada (não tinha farinha aqui), assim restou “água” em abundância.

Segue a foto do molho reduzido com cuscuz (o filé de peixe está embaixo):

Receita da peixada:

500g de filé de pescada chilena (ou qualquer peixe bom para cozinhar)

03 tomates.

02 batatas.

02 cenouras (usei minicenouras que tinham na geladeira, mas tanto faz)

01 pimentão

01 cebola.

03 dentes de alho

01 limão

01 litro de água.

Cebolinha, Salsa e/ou Coentro a gosto

01 colher (sopa) de açúcar

01 colher (chá) de colorau (não tinha aqui, mas recomendo)

Sal e pimenta do reino o quanto baste.

Azeite para cobrir o fundo da panela.

02 ovos cozidos (opcional)

Modo de preparo:

Coloque as batatas e as cenouras já cortadas para pré-cozinhar (uns 5 ou 10 minutos) em água quente com sal e pimenta. Na panela da peixada, frite o alho no azeite, tire do fogo e monte em camadas: cebola, batatas, cenouras, pimentão, tomate, peixe, cebola, batata, cenoura, tomate, cebolinha-salsa-coentro (suco de 01 limão por cima de tudo). Deixe no fogo por uns 5 minutos, enquanto bota para ferver a água que cozinhou as batatas e cenouras, com o açúcar e colorau. Jogue água quente por cima (provavelmente vai cobrir tudo), tampe e deixe cozinhando até as batatas e cenouras estiverem no ponto.

Dicas:

-Acho essa ordem muito boa, mas se você achar outra melhor, fique a vontade. Não acredito que vá alterar muito a receita. O importante é não mexer, pois destruiria tudo, principalmente o peixe que geralmente é delicado.

-É uma peixada bem “aguada”, quando estiver quase pronta pode usar o caldo para fazer um pirão. Só precisa deixar o caldo fervendo em uma panela separada (fogo baixo), adicionando farinha de mandioca fina aos poucos e ir mexendo para incorporar. Se não gostar disso, faça como eu fiz, reduzindo o caldo no dia seguinte.

-Use o peixe que você achar melhor. Peguei esse por dica do peixeiro, mas existem muitos peixes bons e baratos para fazer cozido.

-No primeiro dia comi a peixada com arroz, no segundo (quando reduzi o molho), comi com cuscuz. Mas qualquer coisa fica boa, purê, mandioca, farinha, farofa, apenas as batatas, pão e até macarrão. Afinal, molho é molho, né?

Yakisoba

Pessoas leitoras de meu blog… Estou radiante, em algumas horas estarei embarcando para Curitiba e só volto em 12 dias (06 de abril), não sei se atualizarei meu blog lá, mas com certeza aprenderei coisas novas e trarei para vocês.

Segue abaixo uma receita curiosa, por ser uma comida deliciosa, colorida, barata e que dificilmente fica ruim, o yakisoba com certeza é o prato oriental mais popular no Brasil e em todo o ocidente. Sua história é engraçada, porque tem duas origens: a primeira está no Japão, pois yakisoba é o nome japonês que se dá para macarrão frito, que é um prato bem diferente do nosso. Outra nomenclatura é “Macarrão Shop Suey”, que traduzindo do chinês é “macarrão tudo misturado”, acredita-se que surgiu de sobras em restaurantes chineses nos EUA. Mas independente de sua história, quem não gosta desse prato deve ser muito fresco ou ter uma língua de lixa… Vamos à receita!

Ingredientes: (para 6 pessoas)

– 500g de macarrão udon

– 200 ml de óleo.

– 01 peito de frango sem pele (500g aprox., cortado em cubos)

– 500g de carne bovina mole (picada em tiras)

– 4 cebolas. (cortadas em forma chinesa, use a faca mesmo)

– 03 cenouras (cortadas finas, use o fatiador)

– 3 pimentões pequeno-médios (dois verdes e um vermelho, cortados em cubos)

– 01 acelga (picadas grosseiramente)

– Pimenta do reino (a gosto)

– Colher (café) de curry

– Colher (café) Ajinomoto

– Maisena (o quanto precisar)

– 10 ml de óleo de gergelim

– 200 ml – 300 ml de água

– 200 ml de Shoyu

– Sal

Modo de Preparo:

Em uma wok ou tacho coloque o óleo, deixe esquentar bastante e adicione a carne bovina, quando ela mudar de cor, adicione o frango, quando estiverem relativamente cozidos, adicione as cebolas e pimenta, deixe fritar. Assim que as cebolas ficarem translúcidas, adicione a cenoura, pimentão, curry, Ajinomoto e nesse momento coloque o macarrão para cozinhar em uma panela com água salgada fervendo (é quase tão rápido quanto miojo). Assim que as cores dos legumes ficarem mais intensas, adicione a acelga, o óleo de gergelim e 200 ml de água fervente, mexa e tampe por uns 2 minutos (até a acelga murchar). Quando tirar o macarrão do fogo, escorra e se necessário (achar que vai demorar mais de 2 minutos para colocá-lo no restante da receita), dê um banho de água fria da torneira para travar o cozimento. Adicione o macarrão, o shoyu e duas colheres de maisena (diluídas) assim que a acelga murchar, misture tudo, corrija o sal ou outro tempero que achar necessário e deixe até o caldo engrossar. Sirva quente, só presta para comer na hora.

Dicas:

– Macarrão Udon é barato, custa entre 3 e 6 reais 500g, dependendo sai até mais barato que lamen. Não é difícil de achar, qualquer mercadinho japonês ou em grandes redes têm.

– Evite usar lamen, miojo ou semelhantes, mas se não tiver outra maneira, faça a receita exatamente como descrevi, porém, todos os ingredientes devem ser despejados SOBRE o macarrão, porque o lamen se despedaçaria ao ser misturado.

– Não se assuste com a quantidade de óleo, comida chinesa é assim mesmo, o yakisoba não brilha a toa.

– Use o fogo mais alto de sua casa, panela bem quente é essencial para a receita.

– Pode substituir muitos ingredientes, vai do gosto do freguês, por exemplo: Acelga pode ser substituída por repolho, algumas pessoas gostam de vagem e outras de champignon (eu gosto, mas não tinha em casa).

– Na verdade nenhuma medida precisa ou deve ser seguida, a receita é longa e talvez trabalhosa, mas não tem mistério. Use os ingredientes na ordem certa: óleo-boi-frango-cebola-legumes-macarrão-caldo.

– Óleo de gergelim é essencial, muito aromático! Pode usar até mais se quiser, uns 20 ml. Economizei porque foi a primeira vez que trabalhei com ele.

– Yakisoba é muito pessoal, cada um faz da sua forma.