Comida Reciclada e Torradas de Brownie.

Quem nunca “reciclou” uma comida? Desde coisas simples como adicionar ingredientes ao miojo, usar sobras do almoço para fazer uma sopa no jantar, pegar os pães velhos e fazer torradas, das torradas fazer farinha de rosca e da farinha, um belo bolo! Assim por diante…

Acho isso tão importante na mesa do brasileiro! Pois além de compor no mínimo uns 10% das nossas refeições, segundo o ITC (Instituto Tadeo de Chutômetro), reciclar e reaproveitar comida de uma forma limpa e engenhosa, exige muita inteligência gastronômica, pois é preciso entender de tudo: proporções, processos químicos e físicos, harmonia, etc.
Vou exibir abaixo algumas dicas:

-Pão: Quando está duro, com 24 a 72 horas em saco de papel, passe rapidamente sob a água da torneira (menos de 1 segundo!), espalhe com as mãos a água sobre toda a superfície do pão e coloque em forno bem quente por uns 3 minutos. Pode parecer estranho molhar o pão, mas é uma “molhadinha de leve”, que atinge apenas a casca. Isso faz com que o vapor renove o pão, caso contrário (colocar o pão sem molhar), ele apenas desidrata e vira uma torrada, principalmente se o forno estiver baixo.

-Arroz: Não adianta colocar no fogo novamente, ele queima, debulha e às vezes nem esquenta uniformemente. Coloque em recipiente semi tampado no micro-ondas com um pouquinho de água ou em uma cuscuzeira. Em último caso, misture com ovo, temperos e farinha de rosca, frite como bolinhos! (existem milhares de receitas na internet)

-Carnes: No caso do boi, porco ou frango, tanto cozido como assado, dá para desfiar, refritar e fazer uma bela farofa no dia seguinte ou até mesmo um arroz “caipira”, que é de comer ajoelhado. Se for cozido, use o caldo para regar a farofa e deixá-la bem úmida e saborosa.

-Tomates: Depois que estragam, jogue fora. Mas caso tenha em excesso (além do que vai consumir), pode pulverizá-los ou fazer um molho e depois congelar. O tomate é uma das poucas verduras que não perde nutrientes quando cozidos, moídos, batidos, espancados, torturados ou processados.

-Bananas, abóbora e outros: Quando temos em excesso, coloque açúcar e manda pra panela, rendem ótimos doces! Alias, doce de abóbora com pouco açúcar e um toque de manjericão é antepasto de restaurante contemporâneo metido chic da Oscar Freire.

-Bolos e brownies: Motivo da criação dessa postagem! Fiz o teste de um brownie branco que não deu muito certo (ficou com gosto de ovo e farinha crua), por isso fracionei e coloquei em forno baixo por 30 minutos, desliguei o forno, virei as fatias e deixei lá no forno quente e desligado(por mais 30min) para desidratar. O mesmo pode ser feito com qualquer bolo, principalmente os mais “gordos”, como bolo de rolo ou outros que tenha muito óleo, manteiga, chocolate ou ovos, tanto quando eles não ficam muito bons (solados, com gosto estranho, desarmoniosos, secos, etc), como quando estão velhinhos. Todas as padarias de Recife fazem isso, o bolo não vende e vira deliciosas torradas! É perfeito com café!

Modéstia a parte, mas ficou tão gostoso que estou pensando seriamente em incluir na gama de produtos da empresa, torradas de chocolate branco e nozes! Seria o sucesso! Espero iniciar as atividades comerciais entre dia 05 e 12 de Maio aproximadamente, vou exibir alguns produtos, gostaria de contar com a participação dos leitores para escolher sabores, detalhes e até ter noção de preço, claro, também aceito receitas, principalmente as regionais, tradicionais ou de família!

Daqui pra frente as receitas tomarão um rumo mais trivial, ficarei um pouco fora dos bolos, biscoitos, salgadinhos e tortas, pois serão minha mercadoria e prefiro não exibir a receita aqui, mas estou engatilhando um vlog de cozinha trivial (só não comecei ainda, por causa de um maldito cartão de memória), ensinando as comidas básicas passo a passo, além de fazer uns pratos diferentes ou exóticos como o sunomono (que já fiz!) e o jap chae, uma espécie de yakisoba coreano delicioso! Acredito sinceramente que o blog melhorará, mesmo sem os tradicionais bolos (mas obviamente vou manter as receitas aqui já expostas), porém chegou a hora de darmos um voo mais alto e tenho certeza que todos sairão ganhando!

Café

Perceberam o quanto é difícil tomar um cafézinho gostoso em Recife? Pois é, uma bebida que consiste apenas em dois ingredientes e mesmo assim pouquíssimas pessoas sabem fazer. Na verdade ele é tão mal feito e desconhecido, que a maioria da população não (re)conhece um bom café ou simplesmente não gosta, provavelmente porque nunca tomou um decente.

Pensei em postar aqui parte da história do café, mas ficaria muito extenso e teria pouca coisa, por isso postei esse link da ABIC (Associação Brasileira da Indústria do Café), com história do produto no Brasil e no Mundo, é muito interessante, a história desse hábito que deu energia para movimentar toda a humanidade durante séculos, passando por conquistas, guerras, extermínios, revoluções e sobrevive até hoje, sob várias formas, no mundo (pós) moderno.

http://www.abic.com.br/scafe_historia.html

O que segue abaixo não é uma “receita”, mas uma série de dicas para fazer uma boa bebida em casa, aquele de coador e pó. Além disso, também uma série de vídeos que pesquisei no youtube e podem ajudar bastante.

café

Café Simples no Coador:

Ingredientes: (para 03 xícaras)

250ml Água mineral.

03 Colheres (sopa) café em pó. (ou 02 colheres bem cheias)

Modo de Preparo:

Coloque a água no fogo, quando ela estiver prestes a ferver, despeje no recipiente que armazenará o café, espere 1 minuto, devolva à caneca que foi ao fogo e coe o café, em fio, devagar, sem mexer e deixando a gravidade fazer o serviço sozinha.

Mil Dicas:

– Qual água? Sempre mineral.

– Temperatura ideal da água? Aos 90°C, pouco antes de ferver, acima disso o café fica “queimado” enquanto côa (dando um sabor amargo e aspecto opaco, morto), abaixo disso ele não libera os óleos e açúcares necessários e o café fica ruim também (famoso cháfé). Se deixar a água ferver, não há problema, apenas deixe 2 ou 3 minutos no recipiente, esfriando e faça normalmente.

– Por que deixar um tempinho no recipiente que armazenará o líquido? O bule, garrafa térmica ou caneca devem estar com as paredes quentes para preservar por mais tempo o calor do café, além disso, você dá uma aliviada na temperatura da água.

– Qual café escolher? O café padrão do Brasil é o conilon torra média (número 03 ou torra Viena). Conilon não é o melhor café, mas quando ele é selecionado e plantado de forma adequada, pode resultar uma boa bebida. A torra clara é americana, faz cafés mais fracos (para ser bebido em copos) e torras escuras são próprias para café espresso italiano (pequena xícara, mais forte e amargo). O melhor café do Brasil é o arábica sul minas, é também considerado um dos melhores do mundo.

– Qual tipo de coador? Eu costumo usar o de papel, mas evite marcas alternativas, elas sempre vazam. Nunca usei o velho coador de pano, mas sei que ele deve ser lavado apenas com água e descartado após 01 mês, porque proliferam bactérias.

– Como beber? Xícaras ou canecas de louça, pois o vidro, plástico, lata e outras coisas estão fora de cogitação. Café sem louça é como vinho sem taça, dá para beber mas não é a mesma coisa. Cafés mais fortes recomendam-se serem tomados em menor quantidade, em relação aos cafés mais fracos.

– Como armazenar o pó? Guardar o pó de café em um recipiente metálico, totalmente fechado e na geladeira. Quando acabar e for colocar outro pó, lavar e secar bem.

– Tomar ele puro ou comendo alguma coisa? Pessoalmente acredito que cada um saber harmonizar seu café, eu por exemplo: puro só tomo espresso com meio sache ou uma colherzinha de açúcar (mascavo de preferência). Quando vou comer um salgado, como pão ou cuscuz, prefiro o café mais fraco e adocicado, quando é um doce leve, como bolo de fubá, cenoura ou biscoitos sequilhos, é ele mais fraco e meio-amargo, no caso de um doce mais pesado como quindim, pastel de belém ou chocolate, um espresso puro (sem nada de açúcar) é o ideal. Mas gosto é gosto, cada um tem o seu.

– Qual preço? É uma bebida barata. Os cafés geralmente são vendidos em pacotes fechados a vácuo, de 250g e 500g. Os pacotes de 250g mais baratos custam R$ 1,90-R$2,50 em média, um premium (conilon melhor selecionado) na faixa de R$3,50-R$4,00, o arábica comum R$4,00-R$5,00 e os arábicas de melhor qualidade entre R$7,50 e R$13,00. Se comprar pacotes maiores ou em grãos, fica mais barato, mas pacotes grandes estragam (porque demora a você consumir tudo) e em grão precisa de moedor (custa entre R$ 100,00 e R$250,00). Cada pacote de café rende até 50 xícaras, saindo entre 04 e 25 centavos cada, é uma bagatela se compararmos aos cafés espressos que custam entre R$1,70 e R$3,00 por xícara, mas ali nós pagamos não só pelo café, mas também pelo serviço, aluguel da máquina (caríssima), ambiente e outras coisas.

– Existe café feito de merda? Mais ou menos, hehehehe. Existe o café Kopi Luwak, é feito na Indonésia a partir das fezes de um animal (uma espécie de gato herbívoro) da região. O animal come o fruto e quando defeca, os trabalhadores recolhem, debulham, lavam e separam os grãos, que serão descascados, seco, torrados e moídos. Esse processo de digestão do animal altera a composição química do café, dando um sabor característico. No Brasil existe o café jacu, ele passa pelo mesmo processo, porém o jacú é uma ave e não um mamífero. No Brasil encontra-se café kopi luwak em apenas uma cafeteria de São Paulo, custando R$20,00 a xícara (vendido a preço de custo como ferramenta de marketing do estabelecimento), nos EUA a xícara pode custar até US$65,00 em algum bar sofisticado de NY ou LA.

Erros Freqüentes:

– Água muito quente ou muito fria.

– Mexer o café enquanto é coado. (O que dá na mente perturbada de uma criatura para achar que isso melhora o café? MeoDeos!)

– Armazenar o café pronto por muito tempo, o café azeda depois de 1 ou 2 horas, mesmo em garrafa térmica.

– Adoçar o café dentro da garrafa, coisa de gente egoísta. (Oxida o café, ele azeda rapidinho)

– Beber muito café. Deixa de ser prazeroso e vira um vício ruim.

– Atolar de açúcar, é café porra, se quiser ultra-doce beba toddynho de brigadeiro!

– Requentar o café. Coisa mais asquerosa do mundo é café requentado! Argh!

– Me chamem de conservador, mas em minha opinião o bom café só pode ser feito de duas maneiras… Em uma boa máquina de espresso ou no coador. Aquela cafeteirinha italiana é horrível, queima e carameliza todo o café, a francesa é “menos pior”, mas o seu sistema de filtragem é muito criticado.

Kisuco de Chorume Nescafé <— Puro e simplesmente um erro da humanidade, quem bebe isso pode comer fezes achando que é chocolate e beber mijo achando que é cerveja puro malte.

Marcas que gosto e conheço:

O Brasil tem muitas marcas boas, tenho a maioria aqui em casa.

café2

Eurídice: É disparado a melhor, custa R$ 11,00 a R$ 14,00 reais o pacotinho de 250g, é feito com todo o cuidado, plantados acima de mil metros de altitude, face norte (maior insolação), grãos recolhidos um a um(só os vermelhinhos, maduros), máquinas de secagem, lavagem, moagem, torra e embalagem de última geração

Floresta: Tem na versão Sul Minas, Mogiana e Cerrado Mineiro, as três regiões são ótimas, o café também não deixa a desejar. R$ 8,50- R$11,00 o pacote, mas esses achei em uma liquidação do EXTRA, R$ 3,00.  O café que está na xícara é o Floresta Mogiana.

Illy: Café em grão importado da Itália (mas de origem brasileira), torra mais forte. Essa latinha está abandonada há dois meses, quando meu moedor de café quebrou.

Suplicy: Tem três níveis de torra e abastecem a rede de café Santo Grão, uma das melhores do Brasil e com certeza a melhor de Recife (dentro da Livraria Cultura). Custa entre R$ 10,00 e R$ 20,00, depende de onde você compra. É o único pacote que não tem na foto.


Vídeos:

Dicas de preparo:

Arte no café:

Padrão das melhores fazendas de café:

Parte 1

Parte 2

Parte 3

Café Kopi Luwak (extraído das fezes de um felino da Indonésia) (in english)

Café Jacú: (versão brasileira do kopi luwak)

Parte 1

Parte 2

Café Octavio, a cafeteria mais sofisticada do Brasil.

Parte 1

Parte 2

Parte 3

Parte 4

Published in: on 29/08/2009 at 21:24  Comments (10)  
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Farofa de Cuscuz

Imagine uma farofa simples: Com cebola, lingüiça portuguesa, legumes e pimenta… agora imagine isso com uma farinha de milho super leve e fofa! Oh my God!!!

A farofa de cuscuz é exatamente isso!

cuscuz

Ingredientes:

– 200g de lingüiça portuguesa. (cubos)

– 02 cebolas. (cubos)

– 01 tomate grande. (cubos)

– 01 cenoura (ralada)

– ½ pimentão. (cubos)

– 03 ovos. (mexidos)

– Cuscuz (obviamente já cozido, siga a receita—> https://tanamesapessoal.wordpress.com/2009/07/20/cuscuz/ )

– 02 colheres de manteiga.

– sal e pimenta do reino.

Modo de preparo:

Frite a lingüiça e a cebola, deixe dourar bem, adicione os legumes (pimentão, tomate, cenoura), corrija o sal e a pimenta, quando estiver cozido, adicione os ovos mexidos, a manteiga e o cuscuz inteiro. Misture bem e de uma forma bem suave, para não destruir tudo.

Dica:

– Não tem hora para comer isso, cabe no café, almoço e jantar!

– Pode ser comido frio.

– Se o pessoal daqui de casa fosse menos matuto mais tolerante com alimentação, eu teria adicionado uma banana em cubos perto do final, para dar um toque doce na farofa.

Cuscuz

O que falar sobre essa simples, rústica e deliciosa iguaria? Assim como a polenta, ela teve uma origem mediterrânea, no norte da África (o nome couscous é universal e de origem francesa). Consiste basicamente em sêmola de qualquer cereal (trigo, mandioca, milho, etc) cozido no vapor ou embebido em água ou leite, formando uma farofa extremamente úmida (molhada em alguns casos).

Consumido em todo o mundo ocidental e parte do oriental (principalmente pelos árabes e indianos), de maneiras bem diferentes entre cada lugar. No Brasil temos duas versões, uma feita no sudeste, que consiste de farinha de milho úmida e bem temperada, socada em uma fôrma, com tomate, salsa, cebola, pimentão, milho, ervilha e peixe (ou frango).

Já a versão feita no nordeste é bem diferente, consiste em fubá de milho flocado (duro e cru), cozido no vapor em uma cuscuzeira (panela específica para isso), apenas com água e sal. Pode ser comido com manteiga, queijo, molhos (tomate, carne, peixe, frango, salsicha), ovo ou tudo isso junto, substituindo o pão. Existe ainda no nordeste uma versão doce, onde ele é cozido sem sal e com leite, posteriormente é embebido em leite de coco ou leite de vaca, com açúcar, queijo ou manteiga (existindo variações regionais e familiares).

Vou apresentar a versão nordestina simples, escolhi assim porque pretendo fazer uma série de receitas cotidianas, comida como arroz, feijão, macarrão, bife, etc., que 99% das pessoas comem e 99% não sabem preparar. São receitas básicas e nem sempre são fáceis de fazer, porque existem várias dicas que foram construídas com anos (ou séculos) de prática.e são essenciais para a produção de um prato “perfeito” .(Sim, nós buscamos a perfeição!)

PS. Agradeço a minha ex-sogra, Dona Socorro, por me ensinar a gostar de comer e os preceitos básicos para a preparação desse prato.

cuscuz

cuscuz com manteiga queijo ovo molho

Ingredientes:

02 dois copos de fubá flocado.

01 copo de água mineral (temperatura ambiente ou fria)

Sal a gosto.

Preparo:

Em uma tigela misture os ingredientes, deixe descansar por meia hora, mexendo com uma faca a cada 10min (para aerar). Coloque água na cuscuzeira, a tela e depois o cuscuz, tampe e deixe cozinhar em fogo alto, até ferver(05 min), depois abaixe o fogo (médio ou baixo), deixando cozinhar por 20-35 minutos (após ferver).

Dicas:

– A proporção é sempre 02 de cuscuz e 01 de água, podendo ser até 20% menos água para deixa-lo mais seco (base para uma farofa de cuscuz) ou até 20% mais água, para deixa-lo mais ligado, parecido com uma massa (confesso que prefiro assim).

– Assim que misturar os ingredientes na proporção correta, ficará uma aguazinha no fundo. Com o tempo, verifique que o barulho ao mexer com a faca será menos áspero, a água do fundo sumirá e a mistura estará maior, fofa e de cor levemente mais clara e viva.

– Ao colocar o cuscuz na cuscuzeira, observe o nível da água (geralmente é de 50%-60% e sempre tem uma linha padrão dos outros cozimentos), se for muita água, molha e estraga o cuscuz, se for pouca, ela seca e queima a comida. Cuidado com as paredes internas, devem estar secas ou o cuscuz gruda. NUNCA soque ele, coloque normalmente e dê uma leve apertadinha nas laterais, para não desmontar quando retirá-lo.

– Cuscuz é forte e engorda pra cacete nutritivo, sendo melhor (segura mais a fome) que pão no café da manhã ou da tarde, se quiserem postarei a receita do molho vermelho de salsicha.