Torta de Limão-Cravo

Segundo um livro de química, biologia, geografia, história e botânica ciências aplicada à gastronomia e a boa e velha pesquisa do google, no mundo existe apenas um tipo de limão, que é aquele amarelinho e pontudo que chamamos de “Siciliano”, uma mistura (cidra x lima) e posteriormente ([cidra x lima] x pomelo), chegando no Mediterrâneo em aproximadamente 100d.C.
O restante dos chamados “limões” são espécies de limas ácidas, sendo o mais comum-comercial, que chamamos de Taiti, a lima verde sem sementes.  Também há outras espécies menos comerciais, a mais popular chamamos de cravo, rosa ou caipira (a mesma da receita). Esta é muito comum em determinadas épocas do ano, principalmente pouco antes do inverno em quase todo o Brasil e por ser aparentemente “feio” (com casca fina, sensível e manchada), perecível (dura poucos dias fora do pé) e apresentar muitas sementes, torna-se menos viável para as prateleiras do supermercado. Porém isso não impede de termos à mesa algumas dessas durante os meses de Março a Junho, pois sempre existirá um vizinho, tio, amigo ou feirante para oferecer uma sacola cheia!
E agora, o que fazer com esses gostosos limões amarelos-alaranjados que lembram tangerina azeda?
Eu fiz uma torta e recomendo que façam o mesmo, pois é um item sazonal (e por isso mais nobre) e confesso, um tanto mais gostoso e interessante que a comum!
Já postei anteriormente a receita da torta de limão, não mudei quase nada desde então, apenas aprendi umas dicas e vou repassá-las na íntegra.
(Na foto uns limões-cravo, rosa ou caipira bem maduros e o detalhe para o creme do recheio super delicioso)


Ingredientes:
Base:
02 xícaras de farinha
01 xícara de açúcar refinado.
100G de margarina.
4 gemas.
1 pitada de sal.

Recheio:
05 limões-cravo maduros. (Apenas o sumo)
02 latas de leite condensado.

Cobertura:
Raspa dos 05 limões-cravo.
4 claras de ovo batidas em neve.
01 xícara de açúcar refinado.

Modo de Preparo:
Base: Esmigalhe/misture com a ponta dos dedos a farinha, açúcar e margarina, após feita “farofa”adicione o sal e as gemas, misture até ficar homogêneo, forre uma fôrma de fundo removível, faça furinhos com um garfo e leve ao forno médio até dourar nas pontas. (reserve)
Recheio: Apenas misture os ingredientes e espalhe sobre a base já pré assada.
Cobertura: Bata as claras até ficar em neve, vá adicionando o açúcar e as raspas, espalhando sobre o recheio.
Torta: Leve ao forno baixo pré aquecido até o cobertura ficar castanha como na foto.

Dicas:
– Não sove muito a massa para evitar que crie glúten (sinônimo de elasticidade), fazendo nas pontas dos dedos, mantém aquela textura “clássica” de Pâte Sucrée (massa podre doce)
– Se achar muito difícil trabalhar com a massa, deixe meia hora na geladeira antes de abrir.
– Os furos na base antes de assar são importantes para ela não “subir”, mas mesmo com eles é normal ela crescer um pouco. Outra técnica é colocar alguns grãos de feijão cru por cima (ou umas bolinhas tipo de gude, feitas para isso mesmo e vendidas em lojas de importados).
– Pode fazer a cobertura usando uma manga de confeiteiro. Eu não tenho paciência, por isso espalho de maneira rústica mesmo, fazendo “estalactites” com as costas da colher, que formam gotículas de caramelo depois de fria (curioso, isso só acontece comigo!).

Curiosidade:
-Sabem por quê o recheio fica durinho? Porquê os meios ácidos talham o leite, fazendo com que a caseína (proteína mais comum do leite) se aglomere e consequentemente se separe do soro. Porém o leite condensado é leite já desidratado e cozido (obviamente sem soro), adicionado de açúcar em uma proporção maior que 50% do seu peso. Assim, ao colocar sumo de limão, a caseína se une e enrijecendo a textura do leite condensado.
– Nos EUA o limão siciliano é chamado de “lemon”, e o limão taiti de “lime”. Por isso a Sprite é supostamente de “sabor lima-limão”.